26
jan
2016

Brotherhood, por Gustavo Ziller

gustavo-ziller-tattoosMinha primeira infância foi no Prado, bairro de Belo Horizonte, onde morava minha avó materna. Lá, fui moleque de rua, vivia pra cima e pra baixo, de cueca, no alto dos meus 3 anos de idade. Brincava de tudo um pouco, literalmente aquela sensação de cidade do interior onde todos da rua te chamam pelo nome, ou dizem, é o Gu, neto da Dona Nina.

Na rua morava uma moça, a Tetéia. Eu amava Tetéia, ela devia ter uns 16 pra 17 anos e ficava comigo um bom tempo, principalmente quando morava com minha avó quando meus pais se mudaram pra Salvador. Que saudade da Tetéia. Não sei por onde anda, se ainda está conosco ou se já foi embora, como seu irmão, o Marcão.

Marcão foi filho de criação da vovó Nina. Foi sócio do meu tio em oficinas de carro e cúmplice nas ‘merdas’ da vida. Marcão se tornou um dos principais nomes da tatuagem de Minas Gerais. Durante anos convivi com Marcão em diversas fases. Dentro da casa de vovó Nina, dentro da casa de vovó Augusta (paterna) como mecânico da oficina do meu tio. Nas confusões com meus tios. Na história do Prado. E depois como meu primeiro tatuador. E amigo.

Aliás espalhados pelas mais de vinte tatuagens que tenho existem apenas três distintos traços. Marcão foi o primeiro a me “marcar”, tinha uns 21 anos. Marcão me chamava de Zillinho, minha mulher de Paticinha, minha primeira filha de Joaninha. Marcão era uma figura.

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“Vitrine Viva” no Estado de Minas – 9 de Agosto de 1998

Bom, corta pra 1998. Primeiros anos de operação da incrível Black Boots. Guilherme, outro amigo de vida, um dos fundadores da eterna casa noturna mais casca grossa que BH já teve, o Drosophyla. O Gui estava começando a BB e resolveu convidar o amigo Marcão a tatuar na loja. Começou tatuando um outro amigo de vida, o Gustavo (Ragnarok), meu ex-cunhado. O agito virou matéria de jornal e ‘lançou’ um olhar reflexivo sobre a cultura tattoo na cidade e no Brasil.

Marcão era amigo de poucos, mas os que tiveram a sorte de desfrutar sua amizade eram tratados como reis. Infelizmente nos deixou num acidente surreal. Não lembro qual a idade dele quando se foi. Eu estava morando em São Paulo, falei com o Gui por telefone, que foi o responsável por agilizar tudo do enterro junto com o Gustavo. Arrependo-me até hoje de não ter pegado um avião pra estar por perto.

Dezoito anos depois a Black Boots, o Guilherme e eu convidamos o Fábio Satori, tatuador nascido em São Paulo e outro irmão de vida a reviver as residências, as sessions de tattoo na querida BB. Chamamos carinhosamente de Black Boots Sessions. Pra você que lê esse texto e ficou interessado em saber mais da história dessa arte, de casos de Beagá, de coisas da vida, de brotherhood, te convido a passar na loja, tamo celebrando a vida entre amigos, e ainda tem horário livre pra você se jogar numa tattoo by Satori.

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Gustavo Ziller é nosso amigo, montanhista e empreendedor Endeavor, autor do livro Escalando Sonhos e criador da série 7CUMES do Canal Off. Conecte-se para acompanhar as aventuras.

Comentários

comentários

5 Respostas

  1. Author Image
    Guilherme

    Muito bom texto… por sinal adoro a forma como o Ziller conta suas histórias. Tenho apenas uma correcao: quem cuidou de tudo no enterro do Marcao foi o Jack Bala… eles eram grandes amigos. Valeu Jack… Camboja… Sobrinho Calango… todas as Nenens … foi um período muito bacana. Marcao era vida pura!!!

  2. Author Image
    Gustavo Tattoo

    Excelente fase e movimento no cenário de BH. O Guilhermino da BB sempre foi uma pessoa de visão e tenho a honra de ter participado do início da Black Boots, com as botas feitas sob encomenda. Nos tornamos grandes amigos.Tive o privilégio de participar, viver e imortalizar o momento com a matéria publicada junto com o eterno amigo “Marcolino”, com o qual fiz parte da vitrine viva.

  3. Author Image
    André luiz de oliveira

    Black boots era a vanguarda da loucura pra gente que chegava da roça pra estudar na capital,a gente pirava com a efervescência e pessoas do lugar.

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