Brotherhood, por Gustavo Ziller.

Este texto o Ziller escreveu para o nosso Blog já tem um tempo, acredito que em janeiro de 2016. A gente se conheceu bem no inicio das atividades da Black Boots, o Ziller era amigo do Ricardo, filho do Said, e tinha uma banda. A gente logo de cara já sentiu uma afinidade… e a Black Boots já entrou com ele num Fanzine e depois na Rádio Savassi FM… Me lembro de ter ido no primeiro local onde foi realizado o Movimento Balanço, ele me convidou para dar uns “pitacos”… enfim… sempre estivemos ligados… nem tão proximos.. nem tão distantes. Cada um com a sua vida, com seu trabalho… mas sempre de olho. Eu admiro muito o Ziller. Me lembro quando ele me mostrou seu smartphone cheio de aplicativos… isto lá “antigamente”, ninguem nem sabia o que era smartphone, muito menos aplicativos… ele me disse: isto é o futuro. Eu pensei: esse cara tá maluco!!! Isso ai… somos todos malucos!!! Confere ai… com vcs: Gustavo Ziller!!!

“Minha primeira infância foi no Prado, bairro de Belo Horizonte, onde morava minha avó materna. Lá, fui moleque de rua, vivia pra cima e pra baixo, de cueca, no alto dos meus 3 anos de idade. Brincava de tudo um pouco, literalmente aquela sensação de cidade do interior onde todos da rua te chamam pelo nome, ou dizem, é o Gu, neto da Dona Nina.

Na rua morava uma moça, a Tetéia. Eu amava Tetéia, ela devia ter uns 16 pra 17 anos e ficava comigo um bom tempo, principalmente quando morava com minha avó quando meus pais se mudaram pra Salvador. Que saudade da Tetéia. Não sei por onde anda, se ainda está conosco ou se já foi embora, como seu irmão, o Marcão.

Marcão foi filho de criação da vovó Nina. Foi sócio do meu tio em oficinas de carro e cúmplice nas ‘merdas’ da vida. Marcão se tornou um dos principais nomes da tatuagem de Minas Gerais. Durante anos convivi com Marcão em diversas fases. Dentro da casa de vovó Nina, dentro da casa de vovó Augusta (paterna) como mecânico da oficina do meu tio. Nas confusões com meus tios. Na história do Prado. E depois como meu primeiro tatuador. E amigo.

Aliás espalhados pelas mais de vinte tatuagens que tenho existem apenas três distintos traços. Marcão foi o primeiro a me “marcar”, tinha uns 21 anos. Marcão me chamava de Zillinho, minha mulher de Paticinha, minha primeira filha de Joaninha. Marcão era uma figura.

Bom, corta pra 1998. Primeiros anos de operação da incrível Black Boots. Guilherme, outro amigo de vida, um dos fundadores da eterna casa noturna mais casca grossa que BH já teve, o Drosophyla. O Gui estava começando a BB e resolveu convidar o amigo Marcão a tatuar na loja. Começou tatuando um outro amigo de vida, o Gustavo (Ragnarok), meu ex-cunhado. O agito virou matéria de jornal e ‘lançou’ um olhar reflexivo sobre a cultura tattoo na cidade e no Brasil.

Marcão era amigo de poucos, mas os que tiveram a sorte de desfrutar sua amizade eram tratados como reis. Infelizmente nos deixou num acidente surreal. Não lembro qual a idade dele quando se foi. Eu estava morando em São Paulo, falei com o Gui por telefone, que foi o responsável por agilizar tudo do enterro junto com o Gustavo. Arrependo-me até hoje de não ter pegado um avião pra estar por perto. ( apenas uma retificação, mas quem agilizou tudo foi o Jack que era um grande amigo do Marcão, praticamente um irmão. Eu fui ao enterro, o Gustavo tbm… mas que agilizou mesmo foi o Jack ).

Gustavo Tattoo

Dezoito anos depois a Black Boots, o Guilherme e eu convidamos o Fábio Satori, tatuador nascido em São Paulo e outro irmão de vida a reviver as residências, as sessions de tattoo na querida BB. Chamamos carinhosamente de Black Boots Sessions. Pra você que lê esse texto e ficou interessado em saber mais da história dessa arte, de casos de Beagá, de coisas da vida, de brotherhood, te convido a passar na loja, tamo celebrando a vida entre amigos, e ainda tem horário livre pra você se jogar numa tattoo by Satori.”

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Gustavo Ziller é nosso amigo, montanhista e empreendedor Endeavor, autor do livro Escalando Sonhos e criador da série 7CUMES do Canal Off.

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