O primeiro All Star a gente nunca esquece.

CONVERSE – O primeiro All Star a gente nunca esquece.

Eu adoro a Converse, e este amor é antigo. Quando eu era moleque ter um Converse ( na época se falava All Star ) era algo para poucos privilegiados, coisa de quem tinha algum contato nos EUA. Era só pra galera mais descolada, e que tinha grana. A gente aqui usava mesmo era Conga, Bamba, Kichute… All Star era difícil.

O meu primeiro eu comprei no Paraguai, lá tinha umas lojas que vendiam, na zona franca. Era um One Star, com aquela estrela lateral. Eu adorava. Depois foi ficando mais fácil, alguns amigos já traziam de fora…

Não me esqueço do dia que o Nelsão, que é representante da Bull Terrier me apareceu na loja com as amostras da Converse. Eu quase babei nos tênis… e ele deixou alguns dias comigo. Tinha todas as cores, tinha de couro, de lona, de todos os jeitos. Eu pirei… não acreditava que estava vendo aquilo. E o tênis era o original. Teve uma época que os modelos vendidos aqui no Brasil eram “fakes”, por sinal eram vendidos em sapatarias, e por isto mesmo acabaram decadentes… ninguém mais usava. Mas aqueles eram fabricados com autorização da Converse americana, dava pra ver a qualidade dos produtos. Eu logo fiz a primeira compra pra Black Boots.

O Nelson não ficou com a representação, ele passou para um outro sujeito, e este tbm não acreditou, e não ficou com a marca, acabou passando para o preposto, que é o nosso amigo Paulo Roberto. O Paulo nem carteira de habilitação tinha na época, mas ele pegou a Converse, e literalmente vestiu a camisa. Começamos a vender… vender muito.

Um dia o dono da Coopershoes, o Gringo, aparece na loja, na Black Boots, e eu digo a ele: vamos abrir uma lojinha da Converse aqui dentro da loja, e mostrei para ele o local… era realmente uma loja dentro da loja, pois tinha ate porta privativa, era um espaço todo exclusivo da Converse. Ele topou na hora… e em 15 dias tinha uma equipe da Converse, vindo de Curitiba para montar o espaço. Ficou demais. Nossa parceria se consolidou.

Numa das feiras, Couromodas, a Converse montou um stand que tinha um paredão preto com a coleção toda exposta, eu pensei: quero uma parede desta lá na loja. Afinal de contas, aquele espaço da “lojinha” já não dava para expor a quantidade de referências que eu tinha na loja. Mais uma vez a Converse acreditou e montou um paredão preto… ficou demais. Continuamos a vender… vender… acredito que fui um dos maiores vendedores de Converse por metro quadrado. A Black Boots virou referência.

Um dos tenis que fez muito suceso foi este modelo Chuck 70, uma homenagem aos tenis Converse da decada de 70 feitos nos EUA. A Black Boots na época comprou quase toda a remessa que veio para o Brasil. Ainda tenho os 02 últimos pares que guardei… mas ele vai voltar. Aguardem.

Desde o início eu coloquei os tenis da Converse no meu site… isto por volta de 2001. Eu não vendia pela internet, apenas colocava os produtos como uma vitrine. Nunca imaginei que a Converse fosse vender muito on line. Achava o produto barato, e ao mesmo tempo o frete caro. Dai ficava pensando: quem vai pagar um frete pra comprar Converse?? Só que eu estava completamente errado… Converse vende muito pela internet… haja visto a Loja Virus… vende demais. Eu acabei perdendo o bonde da Converse na internet… mas segui meu caminho. Meu sonho sempre foi construir a minha marca… mas a Converse sempre vai ser uma grande paixão. Quem sabe um dia faço uma bota com eles!!!

A Converse aqui no Brasil tinha modelos que vc não via e não vê em lugar nenhum. Eu guardei algumas preciosidades, fiz meu acervo particular. Já vendi alguns exemplares… Tem clientes que me pedem… e fico sem jeito, acabo vendendo. Existem vários colecionadores. Conheci um de Manaus que é igualzinho ao John Lennon, ele chegava na loja e comprava tudo que havia de diferente.

Junto com a Converse fizemos várias festas e lançamentos. Alguem se lembra da coleção de roupas da Converse? Então… tinha na Black Boots. E o outdoor na frente da loja…. aquele paredão com plotter de fotos bacanas, a cada coleção era um diferente. E as vitrines temáticas? Era uma piração…

Hoje não tenho muitos produtos da Converse na minha loja. Alguns poucos exemplares, e algumas raridades que vou vender em gotas homeopáticas… mas essa marca nunca vai sair do meu coração, ela faz parte da minha infância… da minha vida.

Sou muito grato ao Gringo por ter sempre acredito nas minhas maluquices, nos meus projetos, por ter me dado credito… por confiar na Black Boots. Ao Paulo Roberto… meu brother… ao Gustavo… fizemos uma história juntos. A vida continua. Sucesso prá todos nós!!! Valeu Converse!!!

Guilherme.

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